UM PESO, DUAS MEDIDAS As notas do Itamaraty condenam a prisão da birmanesa Aung San Suu Kyi, mas ignoram a de Raúl Baduel (à dir. ). As posições brasileiras sobre questões regionais parecem emanar diretamente de Chávez (entre Lula e Celso Amorim)
A análise das notas oficiais do Itamaraty durante o governo Lula mostra subserviência aos interesses de Chávez e desrespeito a princípios universais
Por Diogo Schelp (*)
Na Venezuela, há quarenta cidadãos presos apenas por discordar de Hugo Chávez. Um deles é Raúl Baduel, ex-ministro da Defesa, que rompeu com Chávez por se opor aos planos do tirano de se perpetuar no poder.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil nunca emitiu uma única nota de repúdio à prisão de Baduel. Desde que Lula assumiu a Presidência, há sete anos, o Itamaraty mantém silêncio a respeito das medidas autoritárias na Venezuela. Outros países recebem um tratamento diferente.
Edgard Garrido/Reuters
A diplomacia brasileira, por exemplo, divulgou três notas criticando a repressão política em Mianmar, na Ásia, duas delas contra a prisão domiciliar da vencedora do Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi.
O que motivou a posição desigual nos casos de Baduel e da dissidente birmanesa e em outros temas externos? Se fosse para defender os interesses nacionais do Brasil, o correto seria manter-se fiel aos princípios que norteiam as relações exteriores desde a promulgação da Constituição de 1988 – entre os quais a defesa dos valores democráticos e dos direitos humanos.
"Contudo, o que tem orientado a diplomacia brasileira nos últimos anos são as posições ideológicas do partido que está no poder", diz Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil em Washington. "Com isso, o Itamaraty trocou uma política de estado por uma política partidária." A primeira interessava ao Brasil. A segunda, ao PT. A primeira obedece a princípios. A segunda, a bandeiras partidárias.
A política externa é atribuição do Poder Executivo e, como tal, está subordinada ao presidente da República. Em governos anteriores, as decisões nessa área levavam em conta o conhecimento técnico dos diplomatas de carreira, a tradição brasileira e os princípios universalmente consagrados da convivência pacífica entre os povos.
Essa tradição foi rompida ao se delegar a política externa aos humores dos radicais esquerdistas. Para compreender o alcance do viés ideológico na definição da política externa brasileira, VEJA fez um levantamento de todas as notas oficiais divulgadas pelo Itamaraty desde 2003, o começo do governo Lula. No total, foram mais de 4 600 comunicados, muitos deles informes técnicos sobre viagens do presidente. A reportagem se fixou na análise de 296 dessas notas, justamente aquelas em que o Itamaraty dá a saber a posição oficial do Brasil a respeito de questões conflituosas ou polêmicas. São notas reveladoras.
As notas sobre o conflito no Oriente Médio são a manifestação clara de opção ideológica em detrimento dos interesses nacionais permanentes (veja o quadro ao lado). Ao Brasil, que almeja legitimamente aumentar seu protagonismo internacional, interessaria não o engajamento ao lado de um dos contendores, mas a mais notória neutralidade nas complexas disputas do Oriente Médio.
O comprometimento do Itamaraty é ainda mais evidente nos temas latino-americanos. As notas defenderam manobras liberticidas dos governos esquerdistas da Bolívia, da Venezuela e de Cuba, mas condenaram a deposição do presidente hondurenho Manuel Zelaya. Como ficou claro no episódio, Zelaya decidiu rasgar a Constituição de seu país para, com o apoio de Hugo Chávez, dar um golpe. "O episódio de Honduras confirmou um fenômeno preocupante: as posições do Itamaraty e de Chávez na política regional coincidem quase sempre", diz José Botafogo Gonçalves, presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais, no Rio de Janeiro.
Ministro do TSE que rejeitou ação das oposições é chapa de Erenice Guerra
06 de fevereiro de 2010
... o outro braço esquerdo de Dilma. Um vídeo ilumina sua decisão
Por Reinaldo Azevedo (*)
O Tribunal Superior Eleitoral recusou, como viram, a representação das oposições contra a candidata Dilma Rousseff e o presidente Lula por campanha eleitoral antecipada. Como vocês se lembram, no dia 21, escrevi aqui o texto TSE PODE MUITO CONTRA QUEM PODE POUCO; CONTINUARÁ A PODER POUCO CONTRA QUEM PODE MUITO?Pois é… E quem foi que deu o “arquive-se”? O ministro auxiliar do TSE Joelson Dias.
Joelson Dias tem um currículo para 800 talheres. A gente corre o risco de ficar mais inteligente só de ler. Vejam vocês mesmos. Volto em seguida:
Mestre em Direito pela Universidade Harvard. Sócio de Barbosa & Dias Advogados Associados. Ministra cursos de Direito Eleitoral promovidos pela Escola Superior de Advocacia da Ordem dos Advogados do Brasil, Seções do Distrito Federal (OAB-DF) e Sergipe (OAB-SE), pelo Instituto dos Magistrados do Distrito Federal (IMAG-DF) e pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF). Ministrou a disciplina “Direitos das Minorias” em 1999 e revisão sobre “Direitos Humanos na América Latina”, em 2000, no Curso de Pós-Graduação em Direitos Humanos promovido pela Universidade de Brasília, Escola Superior do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios e Universidade de Essex, Inglaterra; e a disciplina “Teoria Geral do Processo” durante o curso de treinamento dos integrantes do Poder Judiciário do Timor Leste, promovido pelo International Development Law Institute (IDLI) com o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU). Foi Conselheiro Titular e representante do Conselho Federal da OAB no Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência - CONADE (2004-2008). É Secretário da Comissão de Relações Internacionais do Conselho Federal da OAB. Participou da 7ª. Sessão do Comitê Especial da ONU que elaborou a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (2006). Atuou no Tribunal Penal Internacional para a Ex-Iugoslávia (1997), na Missão Civil Internacional das Nações Unidas e Organização dos Estados Americanos no Haiti (1993-1994). Fluente em inglês, francês, espanhol e creole haitiano. Nível intermediário em italiano.
Ufa! Com tudo isso, ele certamente entende português e está apto a analisar o conteúdo das falas de Dilma e Lula que estão no vídeo abaixo - inclusive aquela na cidade de Jenipapo, que motivou a representação movida pelas oposições. Se Luila tivesse falado em creole, Joelson entenderia. Vejam o vídeo abaixo ou continuem a leitura e depois voltem a ele.
Investigador do DHPP ganha Copa do Mundo das polícias
06 de fevereiro de 2010
Secretaria da Segurança Pública
O investigador Elcio Mello conquistou a 27ª Super SWAT Cop, competição individual considerada a Copa do Mundo das polícias. O torneio aconteceu na Flórida, Estados Unidos, entre 29 de novembro e 4 de dezembro. Mello enfrentou 500 concorrentes de corporações do mundo todo.
O grau de dificuldade da competição permitiu a participação de apenas 35 policiais na final, integrantes de grupos táticos especiais norte-americanos, húngaros, suíços e alemães. O investigador superou todos. Ele desembarca neste domingo (13), às 8h30, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo.
Mello integra o Setor de Operações Especiais do Departamento de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP). O investigador conseguiu, em 32 minutos e cinco segundos, percorrer uma pista de uma milha e meia – 2.414 metros –, tendo como tarefas correr, rastejar, escalar muros, realizar resgate aéreo, atirar e nadar. Ele cometeu apenas um erro e foi penalizado em um minuto, mas mesmo assim conquistou o primeiro lugar. Essa é a primeira vez que um policial estrangeiro conquista a Super SWAT Cop.
A Super SWAT Cop faz parte do SWAT Round-Up, o principal evento internacional de competições envolvendo integrantes de grupos táticos. Os policiais participam de palestras e aulas práticas sobre procedimentos em casos de crises. O ponto alto é a competição, que testa a resistência, precisão e controle emocional do policial.
Clique aqui para conferir a classificação geral dos 35 policiais finalistas.
Cubazuela: uma realidade?
06 de fevereiro de 2010
Por Heitor de Paola (*)
Há seis anos, em A COLHEITA FINAL: URSAL EM MARCHA, especulando sobre o futuro da Iberoamérica, e frente à dependência cada vez maior de Cuba em relação à Venezuela, imaginei que a união entre os dois países num só era bem possível.
Na ocasião eu já havia cunhado o termo URSAL (União das Repúblicas Socialistas da América Latina) como a colheita final do Eixo do Mal Latino-Americano: a união dos países do continente já em mãos comunistas, ou em vias de, numa confederação que visava ameaçar os EUA pelo flanco sul. A URSAL seria a coroação dos objetivos do Foro de São Paulo: recriar na Iberoamérica o que se perdera na Europa Oriental, a URSS e os países satélites do Pacto de Varsóvia. Citei o blog Notalatina: “em 2004, o sociólogo comunista germano-mexicano Heinz Dieterich, guru de Chávez e Fidel, explicou que a idéia de criar a “Pátria Grande” sonhada por Bolívar, só seria viável se fosse criado um “bloco” com todos os países de corte comunista da América Latina (Cuba, Venezuela, Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Uruguai, Paraguai, Peru e Equador), com pensamentos e ações coordenadas desde um líder, para o qual foi designado Chávez. Para tanto, criou o projeto do “Bloco de Poder Regional”, onde se unificariam as Forças Armadas de todos esses países para fazer frente ao inimigo externo, evidentemente, os Estados Unidos”. A federação saiu, mas com o nome de UNASUL, escondendo sua verdadeira origem e seus objetivos.
O que eu escrevi na ocasião não perdeu a validade:
Cada vez mais se percebe a união de interesses entre Chávez e Castro. Não falo de Venezuela e Cuba porque seria um atentado contra os dois povos, dos quais o primeiro perde a cada dia mais um pouco de sua liberdade e o segundo não a tem há muitos anos, já até esqueceram o que significa a palavra liberdade! A formação de uma Federação ou Confederação entre os dois países é algo a ser considerado em curto prazo, já tendo sido tal intento mencionado por ambos os líderes.
Raúl Baduel: "La penetración cubana es cada vez más fuerte en el estado venezolano''
06 de fevereiro de 2010
Por Castro Ocando (*)
Raúl Baduel, uno de los cuatro generales en jefe que ha tenido Venezuela, discípulo riguroso del taoísmo y fundador, junto al presidente Hugo Chávez, del movimiento militar de inspiración bolivariana, es al mismo tiempo uno de los líderes castrenses más temidos por el chavismo y uno de sus más conspicuos detractores.
Baduel, de 54 años, se encuentra detenido en una prisión militar desde abril y ha expresado sin ambages la "urgente'' necesidad de "salir rápido'' del gobierno de Chávez, aunque niega que sea a través del golpismo.
En una entrevista exclusiva con El Nuevo Herald, el general revela sus críticas y preocupaciones más recurrentes. Según él, Chávez quiere ser un presidente vitalicio y teme terminar como el ex presidente panameño Manuel Noriega. También asegura que el chance de un golpe militar en Venezuela es "escaso'', que la presencia militar cubana e iraní es cada vez mayor y que hay una "cada vez más evidente'' relación entre altos oficiales venezolanos y la narcoguerrilla colombiana.
Uno los pocos hombres que mejor conoce a Chávez, Baduel integró el reducido grupo que en diciembre de 1982 pronunció el famoso juramento del Samán de Güere, un acto iniciático que en la hagiografía chavista equivale al asalto al Cuartel Moncada dirigido por Fidel Castro en 1953, acontecimiento que dio inicio al proceso revolucionario cubano.
Paraguay despliega al Ejército para frenar a un nuevo grupo guerrillero
06 de fevereiro de 2010
Por Pedro Cifuentes (*)
Fernando Lugo, actual presidente de Paraguay, fue obispo durante una década en el departamento de San Pedro, uno de los más pobres del país, hasta que en 2004 el papa Juan Pablo II le retiró el ministerio por sus simpatías con la Teología de la Liberación. Seis años después, siguiendo órdenes de Lugo, el Ejército paraguayo ha desplegado en San Pedro la Operación Yaguareté [Jaguar, en lengua guaraní], uno de los mayores operativos de seguridad en la historia del país suramericano. Durante las dos últimas semanas, medio millar de policías y soldados peinan el terreno, de superficie pantanosa y clima subtropical, cerca de la frontera con Brasil, en busca de miembros del autodenominado Ejército del Pueblo Paraguayo (EPP), un grupo guerrillero de ideología marxista que se dedica principalmente al secuestro y la extorsión para financiar una futura revolución comunista.
La orden fue dada por el presidente hace dos semanas, tras la liberación de Fidel Zavala, un acaudalado ganadero, secuestrado durante más de tres meses por el EPP. Además, las autoridades señalan al grupo guerrillero como el responsable de algunos de los secuestros más recordados en Paraguay; entre ellos, el de Cecilia Cubas, la hija del ex presidente Raúl Cubas, cuyo cadáver fue hallado enterrado en una casa abandonada a las afueras de Asunción en febrero de 2005, pese a que su padre había pagado el rescate, calculado en 800.000 dólares.
El ministro del Interior, Rafael Filizzola, ha afirmado que "el objetivo de la operación es garantizar la seguridad de la zona", y ha pedido prudencia y discreción a los partidos políticos durante el desarrollo de la misma. Sin embargo, los reproches a Lugo y al propio ministro del Interior no han tardado en escucharse. Especialmente criticadas han sido las palabras del ministro acerca de que "hay personas que tienen que definirse: o actúan como parte de una organización de derechos humanos o asumen el rol de defensa de las personas que hoy son sospechosas de ser parte de esta organización criminal". Sectores de izquierda dicen estar "en alerta" ante la Operación Yaguareté, por la posible violación de los derechos humanos durante la misma, afirmó recientemente Hugo Richer, el dirigente del Partido Convergencia Popular Socialista.