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Figueiredo e o impostor grileiro da Presidência da República , o corruptor do Senado Federal PDF Imprimir E-mail
03 de agosto de 2009

João Figueiredo estendeu a mão para a pacificação da Nação, patrocinou a Lei da Anistia e sonhou com a dignidade dos brasileiros para a restauração da democracia. Acertou em não passar a faixa presidencial a José Sarney, o impostor, grileiro da Presidência da República e corruptor do Senado Federal.

Do Observatório de Inteligência
Por Orion Alencastro

Qualquer pessoa ou turista que desembarcasse em Santarém, às margens dos rios Tapajós e Amazonas, poderia ter a oportunidade de ser levado ao Sr. Bentes, cidadão de aparência simples, mas conhecido negociante de ouro, pedras, antiguidades e santos barrocos.

Tarso Genro, ministro da Justiça, bem que poderia desenterrar interessante relatório da Polícia Federal, dando conta que o ex-governador do Maranhão José Sarney, após a sua eleição a vice-presidente da República em 1984, adquiriu do amigo  Bentes, 180 peças de santos barrocos nacionais e estrangeiros, alguns até ornados com cabelos humanos.

A ilha dos santos de Sarney

Quem for à ilha de Curupu, em São Luiz, convidado pela família Sarney, provavelmente poderá entrar na sua casa colonial e  ajoelhar-se  extasiado frente à belíssima coleção de imagens de santos barrocos que inspiram a religiosidade dos Sarneys, gratos às divinas bênçãos que receberam pelo árduo trabalho na política para alcançar fortuna que beira o primeiro bilhão patrimonial.

Muitas dessas estatuetas de santos já foram motivos de boletins de ocorrência policial no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Vale do Paraíba, Goiás e Nordeste, alvos de saques encomendados. Adidos culturais de embaixadas da América Latina já andaram dando buscas de semelhantes relíquias pelo país, algumas sigilosamente devolvidas por seus "inocentes" ou incautos possuidores.

Os 16 km2 da ilha da  fantasia, suposta herança da família de Marly Sarney, esposa do ex-udenista Sarney, como doação a frei Mata Borges, contrasta com a prostituição, criminalidade e miséria do povo maranhense.
A ilha preserva obras que integram a biblioteca do astuto político maranhense, para deleite dos visitantes, com livros que envaidecem o seu proprietário, membro imortal da Academia Brasileira de Letras.

A fé na  Presidência da República

A devoção à legião de seus santos barrocos, naturalmente, inspirou a fé em Sr. José Ribamar Ferreira de Araújo Costa, o cognominado José Sarney, para ocupar efetivamente a presidência da República a qualquer tempo. Nada é por acaso. O eleito  presidente da República, Tancredo Neves, era internado às pressas para grave cirurgia no Hospital de Base de Brasília, no dia 14 de março de 1985, véspera da sua posse no Palácio do Planalto, a ser transmitida pelo último soldado presidente, João Batista Figueiredo.

Na manhã do dia 15, enquanto Dr.Tancredo Neves contorcia-se no leito hospitalar , a Nação assistiu José Sarney arvorar-se no direito de substituir o enfermo, o presidente que jamais seria empossado dada a gravidade da sua saúde, já que o presidente da Câmara Federal , Ulisses Guimarães, na linha de sucessão não quis assumir a presidência da República.

João Figueiredo não se convencia de que o mandarim do Maranhão assumisse como vice-presidente o lugar de um presidente que não tinha assumido seu posto. A estimativa palaciana do dia e relatórios secretos do Serviço Nacional de Informações davam conta do evidente e difícil desfecho do futuro chefe da Nova República.

Sabia de véspera que Leitão de Abreu, chefe da Casa Civil, havia exonerado o seu ministério e recebeu o aviso de que o casal José Sarney estava a caminho do Palácio do Planalto, onde diplomatas, autoridades e familiares aguardavam o ato para transmissão do poder.

Não à faixa de presidente para Sarney

Instantes antes das dez horas daquele intrigante 15 de março, o major ajudante de ordens comunicou a João Figueiredo que o elevador privativo o aguardava. Num gesto inusitado, o soldado-presidente avisa e confirma a seu leal Chefe da Casa Civil que se recusava, terminantemente, a passar a faixa presidencial a um impostor e, de imediato, deixou o palácio pela garagem. O ato encerrou seu mandato e marcou o nojo que sentia pelos políticos falsos e sanguessugas do poder com quem teve que conviver. Abalado na sua cardiopatia, implorou à Nação: "esqueçam-me".

O mandarim do Maranhão e seus "santos barrocos" que conspiram pela desonra que o seu proprietário hes causa e não o perdoarão pelos sacrilégios causados contra a Nação a às instituições do Brasil.
O patrono da anistia política,  ao sabor do seu slogan "lugar de brasileiro é no Brasil", desejou pacificar a Nação para que as suas elites responsáveis olhassem o porvir da Pátria com grandeza para o desenvolvimento, soberania e paz social,  sob a restauração da harmonia do exercício dos três poderes da democracia.

O crepúsculo do impostor

Aí está José Sarney, o impostor pré-octogenário, mandarim do Maranhão e vice-Rei da República, a desmoralizar a  Democracia, o Parlamento, o Judiciário, a Nação, a Imprensa e o Brasil no exterior, apoiado por Luiz Inácio da Silva, o presidente do governo mais corrupto da história de nossa amargurada Pátria, e pela insanidade de colegas do Congresso Nacional.  

Caberia um instante de humildade ao colecionador de santos barrocos para sair pela porta da frente do Senado Federal e evitar a desonra de ser obrigado a deixá-lo pela garagem, saída que, para o último general-presidente foi uma honra, posto que evitou pegar nas suas mãos sujas pelo poder e entregar a faixa de grileiro da Presidência da República.    

Aguardemos a rebelião dos "Santos de Curupu" contra o instinto impostor daquele que não entendeu que chegou o seu crepúsculo de gatuno e exemplo da imoralidade da política nacional. (OI/Brasil acima de tudo)