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Do Observatório de Inteligência Está no site do Ministério da Educação para quem quiser ver. Diz assim: "A Revista Criança está em circulação há 25 anos. Editada, publicada e distribuída pela Coordenação Geral de Educação Infantil da Secretaria de Educação Básica do MEC, caracteriza-se como um instrumento de disseminação da política nacional de educação infantil e de formação do professor. Representa uma importante fonte de informação e de formação de profissionais que atuam na área. É distribuída diretamente nas escolas públicas que atendem à educação infantil e nas instituições privadas sem fins lucrativos, conveniadas com o poder público. Também recebem as revistas as Secretarias Municipais e Estaduais de Educação e do Distrito Federal, além de entidades que integram o Comitê Nacional de Políticas para a Educação Básica – CONPEB. Tiragem: 200 mil exemplares." O número 45, em especial, tem destacado na capa a chamada para um artigo sobre como estão sendo educados os futuros guerrilheiros do campo, crianças que aprendem desde pequenas a valorizar a revolução e a venerar a bandeira sangrenta do braço armado do governo do crime, o MST, Movimento Sem Terra. Escrito por Bernardete Toneto e sob o título "Educação no campo: a experiência do Movimento Sem Terra", causa perplexidade pela total inversão de valores dos que se intitulam professores, ao enaltecer e promover o espírito revolucionário, a luta armada contra a propriedade privada. Estão formando a futura horda de guerrilheiros do campo: O vento sopra forte. A bandeira, improvisada em um mastro de bambu, tremula. Lênin Cauã, de cinco anos, interrompe a brincadeira no balanço. Olha a cena e diz: – Esta é a nossa bandeira. E bandeira é um símbolo, sabia?
– O que é símbolo? – É aquilo que mostra alguma coisa. Aprendi aqui na escola, responde o menino. – O que essa bandeira está mostrando? Pego de surpresa, ele vacila. – O branco quer dizer paz. Pega um galho de árvore e começa a rabiscar o chão. Com os olhos baixos, prossegue: – O verde é a roça onde o meu pai trabalha, é onde planta a comida da gente. De repente, dispara a falar: – O vermelho quer dizer luta, sangue. Tem muita gente que já morreu. Na bandeira também tem um homem e uma mulher. É uma família. – Mas não há crianças! O garoto levanta os olhos do chão e, com segurança, contesta: - É lógico que tem. Olha eu aqui. O pai e a mãe são semterra. Eu sou criança, eu sou um sem-terrinha.
Assim como Lênin Cauã, mais de 160 mil crianças em todo o Brasil entram no mundo da educação pelas portas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Na terra prometida e na terra conquistada, as Cirandas de Educação constituem um grande palco onde a cidadania infantil é exercida. Em espaços fixos ou improvisados, crianças de 0 a 10 anos – com ênfase no atendimentos de meninos e meninas em fase pré-escolar – brincam, aprendem e partilham a realidade de filhos de sem-terra – ou sem-terrinha, como são mais conhecidos. Vitrine para o movimento O apelido surgiu por iniciativa das crianças que participaram do 1º Encontro Estadual das Crianças Sem Terra de São Paulo, em 1997. A expressão ganhou o país. O Movimento reconhece que os sem-terrinha são uma vitrine importante para sua ação, pois revelam o trabalho pedagógica que mobiliza educadores, institutos de educação e pesquisa, órgãos públicos e o Estado. “Eles têm despertado a curiosidade dos que pensam e refletem a situação da infância no Brasil”, afirma o documento Crianças em movimento e as mobilizações infantis no MST, de 1999. Essa vitrine composta por meninos e meninas tem provocado a implantação de políticas públicas específicas para a educação no campo. Em 23 anos de existência, o MST despertou um debate sobre os direitos à educação de crianças que não têm terra – e casa – e que muitas vezes, perambulam pelo país com as famílias. A resistência inicial de escolas em atender filhos de sem-terra diminuiu substancialmente, à medida que são implantados espaços educacionais nos assentamentos e acampamentos. (.......) Pedagogia da terra O Setor de Educação do MST deixa claro que não tem pedagogia própria, mas “inventa” um novo jeito de lidar com as pedagogias já construídas na história da formação humana. “Assim como os agricultores lavram a terra, ao fazer a formação humana, o MST revolve, mistura e transforma diferentes componentes educativos, produzindo uma síntese pedagógica que não é igual a nenhuma pedagogia já proposta”, analisa Roseli Salete Caldart, autora do livro Escola é mais do que escola na Pedagogia do Movimento Sem Terra. “É claro que nas Cirandas as brincadeiras têm intencionalidade política, pois visamos à transformação da realidade”, avisa Edna Rossetto. A muitas vezes combatida “politização” dos sem-terrinha se expressa na escolha das músicas (canções tradicionais e contextualizadas no mundo rural), no discurso que combate preconceitos raciais, de gênero, de etnia e religiosos, no incentivo a ações comunitárias e na valorização do trabalho. Para que a pedagogia funcione, a família é incentivada a participar. Reuniões periódicas de avaliação contam com a presença de pais e mães. Processos de educação e procedimentos disciplinares são debatidos com educadores e, também, nos coletivos de educação. “Aqui, educação é trabalho de todos”, explica Flávia Tereza da Silva, do Setor de Educação do MST, em Pernambuco. Ação juvenil A maior parte dos educadores das Cirandas é formada por semterra e filhos de sem-terra. Em geral são mulheres, com ensino médio e idade entre 20 a 25 anos. “Quando entra na Ciranda, o educador tem o compromisso de se capacitar para a ação educativa. Ele não apenas cuida, mas também educa em uma fase fundamental da formação do cidadão”, diz Márcia Mara, do Coletivo Nacional de Educação do MST. Filha de sem-terra assentados na Agrovila 3, no município de Itapeva (SP), há 10 anos Márcia trabalha com educação infantil em assentamentos e acampamentos. Foi uma dos 400 educadores que trabalhou na Ciranda da Escola Itinerante Paulo Freire, em junho de 2007. Durante cinco dias, 1,2 mil sem-terrinha estiveram reunidos em Brasília, enquanto seus pais participavam do 5o Encontro Nacional do MST. Em espaço de muita brincadeira, jogos e esportes, as crianças aproveitaram também para discutir a realidade de seus assentamentos e acampamentos, expressos em um documento entregue em 15 de junho do mesmo ano ao ministro da Educação. Matéria completa em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/eduinf/cria_45.pdf |