O tráfico de influências e seus disfarces são terríveis meios de corrupção nas religiões e seitas, inclusive. - Antenor Batista

 
ordemdecristo
Dilma, a guerrilheira
Seguidores de Lula
Clique para ler o livro
Após anos de investigação, Ivo Patarra afirma: "Lula é o chefe. A rede de esquemas é enorme, complexa e, se houver inteligência, Lula não deve saber dos detalhes, até para não ser envolvido.

(...) como mais alto mandatário da nação, dá suporte e apoio. É o protetor de tudo.

brasiltodosmall2

Home
Fale Conosco
Prêmios
Quem somos
Noticias
Arquivos de Notícias
Observatório de Inteligência
Últimas Notícias
Eleitor de olho
A favor da recriação da CPMF
CPI do apagão aéreo
"Ficha limpa" : parlamentares com processo
Mensaleiros e seus crimes
Moralização do Senado
Operação Navalha/Gautama
Senadores da CPMF
Senadores Pró-Chávez
Artigos
Aborto e homofobia
A crise aérea
Aquecimento global
Crime organizado e terrorismo
Direitos Humanos - PNDH 3
Educação marxista
Forças Armadas e Soberania Nacional
(des)Governo Lula
Governo mundial
Mitos e verdades sobre 1964
Política e Economia
Sobre as esquerdas
Urnas eletrônicas
Especial
O Cruzeiro - Ed Extra
Do Governo JK
Os mortos pela esquerda
Parceiros
Nome do Usuário

Senha

Lembrar-me
Lembrar Senha
Ainda sem conta? Criar uma
Estatí­sticas
Membros: 3505
Notícias: 7361
Nós temos 79 visitantes conectados

fazendacoqueiro_66

ASSINE a declaração de Praga sobre a consciênca européia e o comunismo

UnoAmerica: El plan del Foro de Sao Paulo para destruir las Fuerzas Armadas - DOWNLOAD

Acessos

Uma noite com o Che PDF Imprimir E-mail
19 de outubro de 2007
De seu périplo pela Argentina em uma
bicicleta com motor "Cucciolo". Foto
autografada por ele: "Para minhas ad-
miradoras cordobesas, o Rey das
Estradas".
Por Carlos Wotzkow

Hoje há os que comemoram a morte do Che. Eu, em troca, festejei com um magnífico Cavernet Sauvignon Argentino. Tomei três taças: uma por Félix Rodríguez, outra por Gustavo Villoldo e outra por Cuba.
O autor, em 9 de outubro de 2007.

Em seu artigo intitulado “A 40 anos da morte do Che Guevara” Manuel Prieres relata uma história da juventude de Ernesto Guevara que não se ajusta exatamente à verdade. E cito: “Sua noiva do início da juventude María del Carmen Ferreyra, “La Chinchina”, em uma ocasião que o convidou a conhecer seus pais (eles de posição estável) este iconoclasta compulsivo entendeu de assistir à reunião sem tomar banho por vários dias, desgrenhado, roupas amarfanhadas, sapatos sujos e fedendo a traseiro de cavalo garanhão”.

Sobre este incidente na casa da família Ferreyra, Guevara escreveria mais tarde: “... me diverti muito ao ver aqueles pais burgueses de minha prometida em posição totalmente embaraçosa e sem saber onde se pôr...”. Entretanto, nem essa foi a primeira vez que Ernesto visitava a casa, nem o pai de Chichina (não “Chinchina”, como erroneamente aponta Prieres) jamais foi burguês (como assinala Guevara). Quer dizer, tinha de burguês, como hoje nos esclarece seu filho, tanto quanto Ernesto Guevara tinha de inteligente.

Don Horacio Ferreyra, pai de “Chichina”, foi um dos revolucionários da Reforma Universitária de 1918 em Córdoba. Este amável senhor dedicou 3 anos de sua vida a explorar a selva amazônica (a parte boliviana) entre 1919 e 1921 onde, além disso, prestou assistência médica às tribos indígenas da região. Em todo caso, a este homem curtido pelo trabalho, o certo é que lhe sobrava educação para atender a qualquer convidado, independentemente de quais fossem (ou deixassem de ser) seus hábitos higiênicos.

Além disso, Che também era recebido na casa de Don Martín Ferreyra, tio de Chichina, e o fazia em sua esplêndida casa na Estancia Malagueño em companhia de muitos outros rapazes do grupo de amigos de Chichina, como nos conta Eduardo Ferreyra, irmão mais novo de Chichina:

“Meu tio Martín não era um burguês mas se podia qualificá-lo melhor como um ‘aristocrata’ que havia sido também um dos ativos praticipantes da Reforma Universitária de 18. Ele era um anti-clerical nato, dado que toda a família Ferreyra era composta por ‘livres pensadores’, ou o que então se podia qualificar como ‘revolucionários’, embora a mãe de ambos, Dona Mercedes, fosse de comungar diariamente. Don Martín também acompanhou meu pai em seu périplo pela Bolívia, embora tenha regressado ao país depois de um ano nas selvas.


Che, na época em que viajou como
camareiro e lavador de copos em um
navio de carga argentino.
Seu hobby era a História e tinha uma das coleções de livros mais importantes da Argentina, com vários manuscritos e livros da colônia de extraordinário valor. Sua cotribuição à genealogia das famílias da “Córdoba del Tucumán” foi condensada em um importante livro em colaboração com outro historiador de Córdoba, Lascano Colodero. Em suas buscas de livros e documentos em Portugal havia feito uma estreita amizade com o duque de Bragança, com quem mantinha freqüente correspondência. Porém, suas amizades não eram precisamente da burguesia.

Como meu tio Martín e sua esposa Dona Rita tinham filhos, recebiam com alegria a todos os seus sobrinhos e sua casa era durante os verões uma verdadeira romaria de jovens. Minha tia Rita lembrava com carinho de “Ernestito” e se lamentava do caminho que ele havia seguido como sanguinário fuzilador em Cuba. Agradava-lhe recordar uma anedota de Guevara, o tempo todo parado atrás de uma das grandes poltronas do living, e sua explicação de que o fazia porque calçava dois sapatos de pé direito. Em uma “liquidação” de sapatos no centro de Córdoba ele havia encontrado um sapato que lhe agradava, porém não tinha podido encontrar o seu par no grande montão. O único que achou foi outro sapato do mesmo modelo, porém ambos do mesmo pé.

Pensando em sua vida, a conclusão a que posso chegar é de que Ernesto Guevara de la Serna, de sobrenome duplo, coisa “elegante” embora snob na Argentina, padecia de um profundo ressentimento contra o sistema que havia levado seus pais à ruína, da classe média alta de Rosario. Sua luta foi por vingança e não a favor dos oprimidos ou desfavorecidos. Seu desprezo pelos índios e negros, tal como o corroboram seus antigos companheiros na Sierra Maestra, não indicava um espírito bondoso, compreensivo ou tolerante. Seus fuzilamentos sem julgamento prévio, injustificados, em plena Sierra Maestra, e os posteriores fuzilamentos massivos na Fortaleza de La Cabaña, assim o confirmam.

Creio que sua vida foi tratar de buscar uma vingança pessoal contra o sistema, e o ajudar os “povos oprimidos” não foi nada mais que uma desculpa para libertar seu espírito vingativo e sanguinário. Pobre homem!”.


Foto tomada na Estancia Malagueño,
14 km ao Oeste de Córdoba, por volta
de 1951.
Porém, aos fatos. Na época em que Ernesto Guevara foi convidado na Estancia Malagueño de Córdoba (isto foi em 1951), há que esclarecer primeiramente que a visita não foi para conhecer os pais de María del Carmen, nem o jantar em honra a sua visita, mas que se tratou de uma ceia à qual assistiam vários convidados e a qual atendeu Guevara, por desejo expresso da filha do anfitrião. Tanto é assim, que o verdadeiro motivo de sua abrupta partida não se deveu ao seu mau cheiro, senão ao ridículo que passou com seu desconhecimento absoluto da História.

Não é nenhum segredo que já nessa época Che era conhecido por todos (e sobretudo por seus pais) como um jovem cínico e provocador que havia declarado guerra total ao sabonete e à água. Como bem diz Prieres, porém inclusive muito mais vezes do que ele pudesse crer, tal parece ser que abundam as anedotas de seu pai Ernesto tirando-o da fazenda pelas orelhas e obrigando-o a jogar-se nas águas geladas de um arroio da propriedade. Assim era o odor no menino!

Conta o irmão de Maria del Carmen (presente no jantar a que se faz alusão), que durante a noite tocou-se no tema da Segunda Guerra Mundial e os mais velhos comentavam a maneira pela qual Winston Churchill havia conduzido o povo inglês, e a visão de futuro que havia demonstrado ao aconselhar Eisenhower a um ataque pelo “baixo ventre” da Europa invadindo os Balcãs para cortar dos russos o fácil acesso à Alemanha.

É então que o cheiroso convidado mete a colherinha na conversa e conclui: “Churchill é um político de meia tijela”. Ferreyra (pai), que como se diz na Argentina fazia tempo o tinha “por um fio”, lhe respondeu: “Olhe, mocinho, Churchill não goza muito de minhas simpatias, porém, se há uma coisa que Churchill não é, nem nunca foi, é ser um político de meia tijela. E como seu comentário não tem outra finalidade que escandalizar ou ofender os presentes, e como em minha casa não se ofende meus convidados, ordeno-lhe que se retire e não volte até novo aviso”.

Ato contínuo, o acompanhou até a porta e o expulsou de sua casa, não por opinar diferente, senão por comportar-se como um imbecil pedante e atrevido. Desgraçadamente, este pedante insolente que desprezava os demais qual se fossem “seres inferiores”, continuou sendo assim durante toda sua vida. Hoje, aquela família cordobesa vê o incidente com imensa tranqüilidade e lembra que Che foi um fracassado em tudo (nem sequer se graduou em medicina) e terminou seus dias sem saber que dava nascimento a um mito que, como a maioria, infectam, porém são impossíveis de matar.


Nota do autor: As fotos que seguem são de propriedade da família Ferreyra que as facilitou exclusivamente para ilustrar este texto esclarecedor.


Tradução: Graça Salgueiro