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Soberania como farsa |
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11 de maio de 2008 |
 À declaração cínica e hipócrita do governo brasileiro de que não podem condenar as FARC para não perder “capacidade de diálogo pacífico com todas as partes em conflito”, soma-se a óbvia violação oficial da Constituição para instituir os novos “quilombos”, lesando os princípios de propriedade – de onde nasceu o de soberania. Pois não existe soberania verdadeira onde esta não seja garantida às propriedades dos indivíduos. A soberania nacional sobre os territórios indígenas já está efetivamente abolida no momento mesmo em que se proíbe a entrada de autoridades militares brasileiras e se as substitui por ONG’s.
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Por Heitor de Paola (*) © 2008 MidiaSemMascara.org “A mídia está de tal forma sob preconceitos (antiamericanos) que nem chega a perceber os próprios preconceitos. (…) Um simples fator é decisivo para sua tomada de posição: o regime proscreveu o Partido Comunista? Então é ruim!” RONALD REAGAN A soberania e a integridade territorial são conquistas importantes da constituição dos Estados modernos. Sem o respeito a elas seria impossível sequer ter uma administração conseqüente. Enquanto a primeira é um conceito jurídico universal, o último é uma conseqüência variável dela. Embora movimentos separatistas sejam freqüentemente vistos com desconfiança, a história mostra que partes de territórios podem se separar sem que o princípio da soberania seja desrespeitado, como ocorreu após a ditadura comunista na antiga Tchecoslováquia – hoje dividida entre República Tcheca e Eslováquia. Cada uma mantém absoluta autonomia sobre a parte do antigo território que lhe coube por livre e pacífica decisão plebiscitária. Por sua vez, a antiga Iugoslávia constituía um aglomerado artificial de nações, etnias, culturas, idiomas e religiões. Sobre um território como este, prenhe de conflitos centenários, a soberania só poderia ser imposta pela força, como de fato ocorreu, seja no Reino da Iugoslávia (1918-1941) sob a dinastia sérvia dos Karadjordjevic, seja pela submissão às tropas nazistas (1941-1945), seja na brutal ditadura comunista, também sérvia (1945-1992). Ao tentarem respirar um pouco de liberdade e independência seus povos ficam atônitos e os conflitos se multiplicam. Relembro estes fatos a propósito de duas situações que afligem o nosso continente nos últimos tempos: a recente, e ainda não resolvida, é a crise entre Colômbia e Equador envolvendo outros países, e, muito mais grave, as ameaças à soberania brasileira sobre porções do território nacional. Os dois casos apresentam aspectos antagônicos se forem analisados pelos métodos tradicionais. |
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Fala o governador de Roraima |
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11 de maio de 2008 |
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Por Leonel Serra, Correio Braziliense O governador de Roraima, o engenheiro civil José de Anchieta Júnior (PSDB), foi eleito como vice, mas assumiu o cargo em dezembro com a morte do titular Ottomar Pinto, o brigadeiro que dirigiu o estado por três vezes, uma delas como administrador do antigo território. Ex-secretário de Obras, aos 43 anos o cearense Anchieta está no meio de uma guerra que envolve os fazendeiros instalados na região e as comunidades indígenas que exigem a desocupação de suas terras já demarcadas. Ele identifica interesses de corporações internacionais, nos minerais estratégicos do subsolo do estado, como pano de fundo dessa guerra. “Não podemos permitir que organizações internacionais e interesses estrangeiros venham dizer o que temos que fazer com nossa riqueza”, reclama. O governo de Roraima só tem o domínio sobre menos de 10% de suas terras. Veja mapa de superposição de terras indígenas e respectivos subsolos (...) O senhor considera que o maior problema de Roraima é de indefinição fundiária e não apenas uma questão ambiental ou de demarcação de áreas indígenas? É um somatório de fatos. A questão indígena é um problema, a questão fundiária é outro. Eles estão sobrepostos. É preciso definir claramente o que seria a área ideal para as comunidades indígenas. Na realidade, o que o índio quer hoje não é terra, ele não precisa de mais terra. Eles precisam é de dignidade, de cidadania. Considerando todas as reservas já demarcadas no estado, cada índio terá direito a uma área média de 250 hectares. O que um índio sozinho vai fazer com 250 hectares?
Mas não é comum que isso aconteça, já que as dimensões das fazendas na Amazônia são gigantescas? Os índios alegam que também podem ser grandes fazendeiros, como empresários do setor os são. Eu acredito que possam ser. Mas integrados dentro de uma convivência com os não índios. Se a comunidade não índia já requer um apoio institucional para se desenvolver, imagine os indígenas. Não é o governo federal que dá sobrevivência para os índios das áreas demarcadas. É o governo estadual que leva educação, saúde, manutenção de estradas, energia. Das 406 escolas estaduais, 200 são nas reservas. Nós levamos energia a mais de 100 comunidades e isso gera um déficit na companhia energética de Roraima porque os índios não são obrigados a pagar. O governo federal não ajuda com um centavo. |
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O estrangeiro perplexo |
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11 de maio de 2008 |
 O nosso estrangeiro se arrepia ao perceber que o DNA da política corre nas veias dos guardiães da lei.
| Por Gaudêncio Torquato (*) O estrangeiro que chega ao País sem passar pela ponte que liga o lado da ficção à banda da realidade toma um susto: o Brasil está sendo passado a limpo. Organismos policiais, escudados na maior rede de espionagem da história pátria, estouram máfias e arrebentam fronteiras de corrupção. Operações se sucedem, cada uma com direito a nome fantasia para tipificar o evento, sem limitações de espaços e perfis. Políticos, empresários, profissionais liberais, pessoas de todos os calibres são captadas pela gigantesca lupa da mais contemporânea extensão orwelliana do Big Brother. O Estado moral se impõe, absoluto, jogando no leito do governo que o dirige feitos surpreendentes, alguns de nítido caráter espetaculoso, com presos algemados, entre eles advogados, figuras que, por dever de ofício, jamais se arriscariam a correr se estivessem de punhos livres. O estrangeiro nem desconfia que, simbolicamente, a algema é um traço que separa o passado do presente, o facão estropiado da injustiça de outrora da lâmina afiada da hodierna Justiça. É isso que o selo lulista quer passar.
As estruturas a serviço do Estado moral lubrificam mecanismos de vigilância e estendem seus tentáculos sobre os mais recônditos abrigos da corrupção. O Ministério Público, povoado por jovens promotores, alguns tocados pela chama cívica, aciona dispositivos e faz subir aos céus uma montanha de denúncias. Não se lhes tira o mérito de contribuírem para a limpeza ética nos devastados terrenos da administração pública. Fica, porém, patente a existência de dois grupos, um composto por perfis guiados por padrões éticos, outro encantado com o brilho midiático, pronto a ilustrar a galeria do Estado espetáculo. O próprio Judiciário entra na campanha moralizadora, não economizando locução. Nos últimos tempos, tornaram-se freqüentes manifestações de teor polêmico emitidas por membros da alta magistratura, nos vazios abertos pelo Parlamento nacional, e a título de interpretar pontos obscuros da legislação, particularmente no campo partidário. O nosso estrangeiro se arrepia ao perceber que o DNA da política corre nas veias dos guardiães da lei. |
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Pacotinho para a Amazônia |
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11 de maio de 2008 |
 A Amazônia, disse o presidente em seu discurso, é “nossa” desde quando Pedro Álvares Cabral pôs os pés em terra brasileira. Não se sabe de onde ele tirou essa idéia, mas essa tolice, mais do que pitoresca, é preocupante. A formação do território brasileiro envolveu muita ousadia e muita iniciativa - a começar pela violação do Tratado de Tordesilhas pelos bandeirantes. Para desenvolver e defender a Amazônia, o governo federal não terá de violar nenhum tratado. Só precisará de competência, determinação e realismo geopolítico, virtudes não exibidas, por exemplo, no caso da demarcação das terras indígenas em Roraima.
| Editorial, Estadão (*) O governo levou quase cinco anos para lançar o Plano Amazônia Sustentável (PAS), mas acabou apresentando apenas um pacote de idéias genéricas, obras já previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e uma promessa de crédito para reflorestamento e recuperação de áreas degradadas. Mesmo sem novidade importante para oferecer, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não desistiu de um longo discurso, em cerimônia no Palácio do Planalto, na quinta-feira. Eliminado o palavrório vazio, pouco sobra de seu pronunciamento: é preciso combinar desenvolvimento e preservação ambiental, criar oportunidades para os habitantes da região e aprender muito mais sobre a realidade amazônica. Segundo Lula, não é preciso mais fazer bravata - a expressão é dele - com a declaração “a Amazônia é nossa”. Pergunta inevitável: por que lançar esse arremedo de plano exatamente neste momento? Talvez porque o governo tenha de afirmar sua presença na região, pelo menos por meio de palavras, quando seus critérios de ocupação e sua política de segurança territorial são postos em dúvida.
O PAS, tal como apresentado pelo presidente da República, nada ou quase nada acrescenta a propostas anteriores de integração da Amazônia no espaço econômico nacional. Como informou reportagem do Estado, na edição de sexta-feira, 19 das 24 páginas de um folheto distribuído na solenidade contêm dados sobre obras do PAC, lançado no começo de 2007: portos, hidrovias, ferrovias, centrais elétricas e projetos de saneamento. As maiores obras projetadas para a Amazônia, as hidrelétricas do Rio Madeira, foram concebidas antes do PAC e ocasionaram divergências graves dentro da administração federal por causa da oposição do Ministério do Meio Ambiente. |
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Os barbudinhos do Itamaraty e o investimentchi grêidji de Lula |
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11 de maio de 2008 |
 Ex-presidente Ernesto Geisel (ao lado do chefe do SNI, Golbery do Couto e Silva): esquerdismo terceiro mundista tomando conta do Itamaraty.
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Por Félix Maier (*) Resumo: Desde o governo Geisel o Ministério das Relações Exteriores está entregue aos “barbudinhos do Itamaraty”, que sempre tiveram uma opção preferencial por governos socialistas e autoritários.
© 2008 MidiaSemMascara.org O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, declarou que o governo brasileiro não reconhece o Referendo, em que os bolivianos votaram por ter autonomia legislativa, tributária, judiciária e administrativa de seu Departamento, Santa Cruz de la Sierra. Ora, trata-se de um assunto estritamente interno da Bolívia e o governo Lula não tem nenhum direito de dar palpites, como se fosse o Big Brother da região. Mesmo porque não se trata de uma iniciativa separatista. Os habitantes dos Departamentos de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando lutam por uma maior autonomia em relação ao governo central, não pela secessão do país, como querem fazer crer Evo Cocales e demais integrantes do Foro de São Paulo, incluindo Lula e o PT. Melhor faria o governo Lula se ele se preocupasse com as reservas indígenas de Roraima, a “Nação Ianomâmi” e a Serra Raposa do Sol, que no futuro poderão ser nossos Kosovos, essas, sim, províncias que um dia poderão lutar por sua autodeteminação. Infelizmente, há muito tempo, desde o governo Geisel (remember as “polonetas”) o Ministério das Relações Exteriores está entregue aos “barbudinhos do Itamaraty”, que sempre tiveram uma opção preferencial por governos socialistas e autoritários (desculpem o pleonasmo), tanto na África (Angola, Gabão, Líbia etc.), quanto na América Latina (Fidel, Chávez, Evo Cocales etc.). Assim, o Brasil, a largos passos, vai se firmando como um dos líderes do terceiro-mundismo, vale dizer, do atraso. |
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Psicopolítica e “cura mental” |
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11 de maio de 2008 |
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Por Maria Lucia Victor Barbosa (*)
Ultimamente muito se tem falado em Antonio Gramsci (1891-1937), um dos principais dirigentes do Partido Comunista italiano que preso pelo regime fascista morreu no cárcere em 1926. Como vários teóricos marxistas do século XX, Gramsci não negou a importância da infra-estrutura, que segundo a teoria de Karl Marx é o modo de produção da vida material, mas ressaltou a importância e o papel da superestrutura que compreende as instituições políticas, o direito, a moral, a religião, as artes, a filosofia, a economia, etc. Para Gramsci a superestrutura possui dois elementos fundamentais: “a sociedade política”, onde se encontra o aparelho de coação e comando, isto é, o Estado ou governo, e a sociedade civil que assenta na persuasão. E se para os revolucionários russos, o essencial era derrubar o aparelho do Estado, para os revolucionários ocidentais o terreno essencial de luta se situa na sociedade civil que sempre aceitou os valores e a ideologia da classe dominante, portanto sua hegemonia. Entendeu Gramsci que a hegemonia é assegurada por aqueles a quem chamou de intelectuais orgânicos (clero, intelectuais, universitários, tecnocratas), e os trabalhadores somente se afirmariam se conseguissem fazer prevalecer o seu próprio sistema de valores, sua própria visão de mundo, sua própria ideologia. Seria, então, imperativo que aqueles tomassem a direção cultural e moral da sociedade e passassem a ser uma classe dirigente antes de ser uma classe dominante. |
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